Presença de Deus: o verdadeiro alvo da vida cristã
Buscar a presença de Deus e desfrutar da beleza da Sua companhia deveria ser o principal objetivo da vida de todo aquele que crê nas Escrituras Sagradas como a Palavra de Deus. A Bíblia não apresenta a fé cristã como uma busca por benefícios, mas como um relacionamento profundo, contínuo e transformador com o próprio Deus.
Moisés, durante a peregrinação no deserto, nos oferece um dos maiores exemplos dessa verdade. Quando Deus afirmou que enviaria um anjo para conduzir o povo — ou seja, Seu poder estaria com eles — Moisés respondeu com firmeza: “Se a tua presença não for conosco, não nos faça subir daqui” (Êxodo 33:15).
Moisés não ansiava apenas pelo poder de Deus, mas pela Sua presença real no meio do povo.
O cenário atual da fé cristã
Vivemos um tempo marcado pelo crescimento expressivo do cristianismo institucional. Mega templos lotados, inúmeras denominações espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, e uma presença cristã cada vez mais visível na sociedade. No entanto, uma pergunta se faz necessária: o que, de fato, as pessoas estão buscando?
Será que o desejo principal é conhecer a Deus e viver em Sua presença, ou apenas alcançar aquilo que Ele pode oferecer?
De modo geral, muitos não desejam ser morada de Deus, mas apenas usuários de Suas bênçãos. Buscam prosperidade financeira, proteção, livramento do mal e soluções imediatas para seus problemas, mas não demonstram interesse em conhecer a Deus de forma profunda nem em gastar tempo em Sua companhia.
Ainda mais grave é perceber que, em muitos ambientes religiosos, essa mentalidade é incentivada. Em diversos púlpitos, a mensagem central deixou de ser a transformação do caráter e passou a ser a satisfação dos desejos humanos.
O perigo da busca pelo poder sem presença
Além da busca por benefícios materiais, cresce também um outro grupo dentro das igrejas: aqueles que associam a presença de Deus exclusivamente a manifestações externas de poder. Barulho, movimentos intensos, expressões emocionais exageradas e experiências sensoriais passaram a ser o termômetro espiritual.
Cultos marcados por correria, gritos, pessoas subindo em bancos, manifestações desordenadas e uso excessivo de “línguas estranhas”, enquanto a Palavra é pouco ensinada e quase não há exposição bíblica consistente.
Esse cenário nos leva a uma verdade dura, porém bíblica: é possível operar no poder sem viver na presença de Deus.
Jesus deixou isso claro ao afirmar:
“Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci” (Mateus 7:22–23).
As manifestações não confirmam intimidade. O critério bíblico não são os dons, mas os frutos. O caráter revela a verdadeira condição espiritual.
Saul governou Israel por quarenta anos sem a presença de Deus, simbolizada pela arca da aliança. Já Davi, ao assumir o trono, teve como prioridade trazer a arca de volta, mesmo cometendo erros no processo. A presença era central para ele.
Esse mesmo padrão se repete hoje: muito barulho, pouca graça; muita emoção, pouca Escritura; muita centralidade no homem e pouca fidelidade à Palavra.
O que a Bíblia ensina sobre a presença de Deus
A presença de Deus nem sempre se manifesta de forma ruidosa. Elias aprendeu isso na caverna. Houve vento forte, terremoto e fogo — manifestações poderosas — mas Deus não estava nelas. Somente quando veio uma brisa suave, Deus falou (1 Reis 19).
A presença de Deus revela o nosso caráter, traz à luz o que está escondido, expõe nossa dependência e nossa total necessidade da graça e da misericórdia divinas. Ela constrange, transforma e conduz o cristão a viver a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.
Como viver na presença de Deus diariamente
Deseje a presença de Deus por quem Ele é, não pelos benefícios que oferece
Busque ao Senhor para relacionamento, não apenas para pedidos
Mergulhe nas Escrituras e pratique os ensinos de Jesus
Seja constante na vida espiritual
Permita que o Espírito Santo transforme seu caráter
Conclusão: entre o poder e a presença
Entre o poder e a presença, não deveria haver dúvida. A presença de Deus é o que realmente importa. O cristão genuíno não vive de experiências momentâneas, arrepios ou emoções passageiras, mas de um relacionamento contínuo e profundo com Deus.
As manifestações existem e são bíblicas, mas nunca foram o centro da fé cristã. O verdadeiro propósito é conhecer o Criador, andar com Ele, ser transformado por Ele e viver de modo que Ele seja conhecido através de nós.
Esse é o verdadeiro sentido da vida com Deus.




