
O peso de parecer bem: a verdade por trás dos sorrisos
Na era das redes sociais, ficou assustadoramente fácil construir um personagem — uma versão em alta definição de quem gostaríamos de ser — e fazer com que o mundo acredite que aquilo é a nossa realidade. As viagens, os ângulos perfeitos, o relacionamento que parece digno de cinema… tudo isso cria uma narrativa tão bem produzida que até nós, às vezes, acreditamos nela.
Mas há algo que nenhuma foto, por mais bonita que seja, consegue registrar: o estado interno de uma alma humana.
Como lembra o psicólogo Carl Jung, “Aquilo a que você resiste, persiste”. Muitas vezes resistimos à dor, ao caos, à confusão interna — e, enquanto sorrimos para o mundo, a tempestade segue se formando do lado de dentro.
Sorrisos que escondem batalhas silenciosas
Nem todo sorriso retrata felicidade. Às vezes, ele é apenas um intervalo — um pequeno respiro em meio às crises existenciais, às dúvidas sobre o próprio valor, às perguntas sem resposta que carregamos no peito.
O momento da foto pode até ter sido real. Você riu, relaxou, respirou… mas, segundos depois, quando ninguém mais estava olhando, o peso voltou. E, muitas vezes, voltou mais forte.
A professora Brené Brown, pesquisadora de vulnerabilidade, afirma que “A desconexão nasce quando tentamos parecer o que não somos, para sermos aceitos”. Essa é a essência da vida digital: parecemos, mas não somos; mostramos, mas não revelamos; postamos, mas não compartilhamos.

A ilusão que criamos sobre a vida do outro
Quem te segue nas redes ver a foto e pensa:
“Ele(a) está tão feliz.”
“Que vida incrível!”
“Já superou tudo que passou.”
E assim criamos um mundo onde julgamos felicidade por pixels. Um mundo onde a dor do outro se torna invisível, porque acreditamos no que a imagem mostra — e não no que o coração esconde.
Estamos caminhando para um retrocesso emocional: perdemos o contato humano, a leitura do olhar, a capacidade de perceber a dor não dita.
A arte cansativa de parecer bem
Vender a imagem de uma vida feliz nunca foi tão fácil. E nunca foi tão exaustivo.
Porque, enquanto todos têm problemas — e isso é natural —, há pessoas que estão em pedaços por dentro, mas aprenderam a sorrir como um mecanismo de sobrevivência. Estão sempre bem-humoradas, sempre dispostas, sempre fortes. E, por isso, ninguém imagina que, por trás do sorriso, existe um esforço diário para não desabar.
Como diz o filósofo Søren Kierkegaard: “A maior forma de desespero é ser outra pessoa que não você mesmo.”
E é exatamente esse desespero que muitas pessoas vivem em silêncio.
Se esse texto não reflete você, celebre. Mas não esqueça.
Talvez você leia tudo isso e pense:
“Não me identifico.”
E isso é maravilhoso. Significa que você conseguiu atravessar certos abismos da vida inteiro(a). Mas saiba: isso não te separa do tema… te responsabiliza.
Porque existe alguém perto de você — bem perto — lutando batalhas internas que você não percebe, justamente porque o sorriso dele(a) funciona bem demais.
E se esse texto descreve você, então eu preciso te dizer algo:
Você não está sozinho(a).
A sua força silenciosa não passa despercebida.
A sua luta interna é real e válida.
A sua dor é legítima.
E existe cura para quem tem coragem de admitir que está cansado(a) de ser forte o tempo todo.
Permita-se sentir. Permita-se pedir ajuda.
Permita-se ser humano.
Porque, ainda que o mundo insista em sorrisos perfeitos, a alma só encontra descanso na autenticidade.





1 Comment
Esse texto reflete a realidade das pessoas hoje em dia. Ser de verdade se tornou um “problema”. Todo mundo quer sempre parecer bem, quando na verdade não está!